Pesquisadores vinculados ao Gera participaram do 17º Congresso Internacional da Rede Unida, realizado entre os dias 22 e 26 de junho de 2026, em São Luís, no Maranhão. Com o tema “Sabedoria e Soberania com Alegria”, o encontro reuniu pesquisadores, trabalhadores, gestores, estudantes e movimentos sociais em torno de debates sobre saúde coletiva, formação, gestão, participação social e defesa do Sistema Único de Saúde.
A participação do grupo ocorreu por meio da apresentação de quatro trabalhos aprovados para comunicação oral, em formato virtual. As pesquisas discutiram diferentes dimensões da regulação e da organização do cuidado no SUS, com abordagens voltadas às redes de atenção, à navegação de casos complexos, aos modelos de remuneração em oncologia e à equidade no acesso à saúde em territórios urbanos marcados por desigualdades sociais.
Três trabalhos foram apresentados no Eixo 3 – Gestão, dedicado a estudos e experiências sobre organização dos sistemas e serviços de saúde. O quarto integrou o Eixo 6 – Direito à Saúde e Relações Étnico-Raciais, de Classe, Gênero e Sexualidade, o que ampliou o debate sobre regulação para as condições concretas de acesso, permanência e cuidado nos territórios.
Regulação cuidadora
O trabalho “Regulação produtora de cuidado nas redes de atenção à saúde do SUS” discutiu a regulação como parte da produção do cuidado nas redes de atenção, e não apenas como procedimento administrativo de ordenamento de filas, agendas e encaminhamentos. A pesquisa foi apresentada em 24 de junho, em sessão oral virtual do Eixo 3, e teve autoria de Marília Louvison, Mariana Freire, Ana Ligia Passos Meira, Karina Califfe, Valéria Monteiro Mendes, Danielle Postorivo, Stephanie Marques Moura Franco, Letícia Gabriela da Silva, Álvaro Elias Nunes Mineiro, Fabiana Diniz Peres, Yasmin Maria Amirato, Milene Freire do Nascimento e Oswaldo Yoshimi Tanaka.
Também no Eixo 3, o estudo “Navegação do cuidado em saúde para casos complexos: um arranjo tecnológico potente” abordou a navegação do cuidado como estratégia para acompanhar usuários com necessidades complexas e articular diferentes pontos da rede. De autoria de Karina Califfe, Marília Louvison, Valéria Monteiro Mendes e Álvaro Elias Nunes Mineiro, o trabalho tratou a navegação como um arranjo tecnológico capaz de apoiar a coordenação assistencial, qualificar percursos de cuidado e reduzir fragmentações no atendimento.
A relação entre financiamento, organização dos serviços e integralidade apareceu no trabalho “Modelos de remuneração e cuidados no SUS: as ofertas de cuidados integrados na oncologia”, apresentado em 24 de junho por Álvaro Elias Nunes Mineiro, Valéria Monteiro Mendes, Karina Barros Califfe Batista e Marília Cristina Prado Louvison. A pesquisa discutiu como os modelos de remuneração podem influenciar a oferta de cuidados integrados em oncologia, área em que diagnóstico, tratamento, acompanhamento e continuidade assistencial dependem de articulação entre serviços, equipes e níveis de atenção.
No dia 25 de junho, o trabalho “Equidade na regulação do acesso: ocupações urbanas como produtoras de cuidado” levou o debate para territórios atravessados por vulnerabilidades sociais e disputas pelo direito à cidade. De autoria de Fabiana Diniz Peres, Valéria Monteiro Mendes e Marília Cristina Prado Louvison, o estudo foi apresentado no Eixo 6 e abordou as ocupações urbanas como espaços em que também se produzem redes de cuidado, formas de solidariedade e estratégias coletivas de acesso à saúde.
A presença do Gera no Congresso da Rede Unida reuniu pesquisas que tratam a regulação em saúde a partir de sua relação com os usuários, os territórios e os modos concretos de funcionamento das redes de atenção. Ao discutir cuidado, gestão e equidade em diferentes situações do SUS, os trabalhos apresentados inserem o grupo em uma agenda nacional de reflexão sobre acesso, coordenação assistencial e capacidade pública de organizar respostas às necessidades de saúde da população.
